O que é usabilidade?

Como qualquer explicação, depende de quem explica e de quem ouve também, certo? Vamos começar do mais simples para depois entrar em detalhes mais específicos. E esperamos que ao fim do texto você consiga sair por aí explicando para todo mundo – do seu chefe ao porteiro do prédio. 😉



Para explicar para a sua tia


Sabe quando você entra em uma site na internet e não consegue achar o que você procurava? Ou então vai usar um aplicativo e ele é tão difícil de entender que você acaba desinstalando do celular? Então. Essas dificuldades com produtos do dia-a-dia como sites e aplicativos são problemas de usabilidade.

Por aí já dá pra ter uma ideia, certo? A pessoa que trabalha com usabilidade está preocupada em deixar os produtos do dia-a-dia mais fáceis de usar para deixar as pessoas mais felizes e também trazer mais lucro para a empresa.

Usabilidade é uma característica que a gente percebe melhor quando ela é ruim do que quando é boa. Por isso a gente fala muito de problemas de usabilidade, que são falhas na interação, na comunicação do produto com a pessoa que está usando (o usuário). Viu o exemplo na imagem do topo do post? Tá bem claro ali que a janelinha de diálogo não está sabendo conversar com o usuário, né? Afinal, qual é o botão a clicar agora? Isso é um problema de usabilidade.

Além de deixar as pessoas irritadas, problema de usabilidade como esse podem afetar diretamente a conversão de um site: afinal, se tá difícil encontrar um produto, a pessoa pode desistir e ir comprar em outro lugar.

Temos também definições mais sérias, detalhadas e acadêmicas – a seguir.



A norma oficial



Sabia que existem normas de qualidade de software? A ISO 9241-11 (1998) diz que:

Usabilidade é a eficiência, eficácia e satisfação com a qual os públicos do produto alcançam objetivos em um determinado ambiente.

Notou que a norma fala de ambiente? Não há nenhuma menção a site, aplicativo, tela, smartphone, computador, relógio, óculos ou qualquer dispositivo. Porque usabilidade se aplica a todos eles.

Usabilidade é um termo que deriva da ergonomia e surgiu nos anos 80. Ergonomia é a disciplina que procura entender as interações entre pessoas e elementos de um sistema para otimizar o bem-estar e a performance. De forma geral, hoje falamos de ergonomia mais aplicada a objetos físicos – como a sua cadeira de escritório – e usabilidade aplicada a interfaces digitais. Mas quando a interação das pessoas com os sistemas deixa de estar limitada a uma tela, as fronteiras se diluem (ou deixam de ser relevantes).

Por questões práticas, vamos falar daqui por diante em usabilidade de interfaces, OK?




Segundo Jakob Nielsen



Jakob Nielsen é considerado um dos maiores gurus de usabilidade. Ele escreveu vários livros, como “Projetando websites – a Prática da simplicidade” (1999) e o mais recente “Mobile usability” (2012). Junto com Donald Norman fundou o Nielsen Norman Group, que publica periodicamente estudos e artigos sobre usabilidade, design e experiência do usuário.

Para Nielsen:

Usabilidade é atributo de qualidade para avaliar a facilidade de uso de uma interface. A palavra “usabilidade” também se refere a métodos para melhorar a facilidade de uso durante o processo de design.

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Produtos impossíveis de usar
^ Isso não é uma boa usabilidade.

Segundo Nielsen, a usabilidade é definida por 5 componentes:

  • Facilidade de aprendizado: o quão fácil é para os usuários completar tarefas básicas a primeira vez que eles utilizam a interface?
  • Eficiência de uso: uma vez que os usuários aprenderam a utilizar a interface, quão rápido eles conseguem realizar as tarefas?
  • Facilidade de memorização: quando os usuários retornam à interface depois de um período sem usar, conseguem utilizar de novo com facilidade?
  • Erros: quantos erros os usuários cometem, quão graves são esses erros e qual a dificuldade para corrigi-los?
  • Satisfação subjetiva: a interface é agradável?

As definições acima são do livro “Engenharia de Usabilidade”, que Nielsen escreveu em 1993. No artigo “Usability 101” (em inglês) você pode ver uma explicação resumida.

Você tem um produto digital ou cuida de um site / aplicativo? Faça as perguntas acima. Não sabe responder? Calma, isso é normal. E é para isso quer servem as técnicas de avaliação de usabilidade (a seguir).



Como descobrir se meu site / produto tem uma boa usabilidade?



Essa é uma ótima pergunta. Acontece que um site pode parecer muito claro e fácil de usar para o designer que o construiu, mas não necessariamente será fácil para quem vai utilizar. Voltamos a uma citação do Jakob Nielsen:

“Se você trabalha em um projeto de desenvolvimento, você é atípico por definição. Desenhe para otimizar a experiência do usuário para ‘outsiders’, não ‘insiders’.”

E se a sua opinião de especialista não é tão útil assim, com avaliar a usabilidade do seu produto? Existem duas técnicas principais para isso:

Análise heurística / ou análise de especialista: um especialista em usabilidade realiza tarefas na interface e avalia se ela está atendendo um checklist de boas práticas. É muito útil para levantar os problemas mais visíveis do sistema, como falta de feedback no cadastro ou problemas na mensagens de erro. Veja um artigo do blog de UX design explicando como fazer

Teste com usuários ou teste de usabilidade: você convida usuários representativos (pessoas que têm o perfil de clientes do produto ou serviço) e observa enquanto eles tentam realizar tarefas típicas do sistema. É uma técnica de pesquisa aplicada principalmente de forma qualitativa (quer dizer que o importante é levantar os tipos de problemas de usabilidade que podem acontecer, não quantificar e gerar métricas). Geralmente é feito com 5 a 15 pessoas e pode ser presencial, remoto, caseiro ou contratando uma consultoria. Em geral, os resultados de testes com usuários vão além da análise heurística, porque envolvem clientes de verdade e o contexto de uso. Veja 10 motivos para fazer pesquisa com usuários.



Por onde eu começo?



Olhe para seu produto, site ou aplicativo com um olhar crítico. Coloque-se no lugar de uma pessoa que nunca entrou. Está claro para que serve? É fácil encontrar produtos? É fácil ver as formas de pagamento? Pelas métricas, há algum ponto em que as pessoas abandonam o site? Anote dúvidas e pontos a investigar melhor.

Se você nunca fez, faça o seu primeiro teste de usabilidade. Ver outra pessoa utilizando o seu produto é uma experiência muito interessante. Não interfira muito e na dúvida, deixe a pessoa conduzir. Talvez você se irrite ou fique frustrado, mas com certeza sairá da experiência cheio de ideias. Vale fazer com um amigo ou uma pessoa próxima para começar – mas fica a dica: procure alguém dentro do perfil do seu site e não acredite no resultado de apenas uma pessoa. Aos poucos você vai aprendendo as técnicas e aprimorando. O ideal é que a a pesquisa com usuários e testes de usabilidade sejam parte do seu processo de desenvolvimento.

Temos aqui no blog vários materiais para quem está começando:
Teste de usabilidade: o que é e para que serve?
Teste de usabilidade: um passo-a-passo


Vídeo da palestra sobre teste de usabilidade – por que é importante e como começar




Precisa de ajuda?

Conte com o TESTR. Nosso foco é usar a tecnologia para simplificar o processo para que todo mundo possa fazer teste de usabilidade – e nem precisa ser especialista para isso. 😉


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